Letícia Sabatella e Gringo Cardia passaram dez dias entre os
índios da tribo krahô, no Tocantins, com o intuito de filmar os hotxuás,
sacerdotes do riso – palhaços rituais que, além de manterem a força da
comunidade ao alegrá-la, preservam os festejam que homenageiam as plantas, os
quais constituem as leis principais dos krahôs.
Hotxuá, filme de descobertas. Os diretores ouvem os mais
velhos da tribo, que explicam as tradições krahô, desconhecidas por nós.
Letícia Sabatella e Gringo Cardia não assumem tom professoral – ao contrário,
com humildade e respeito, dão voz aos entrevistados. Da mesma forma, registra
com sincero maravilhamento a corrida das toras, que garante o equilíbrio da
natureza, e a festa da batata, verdadeiro mito fundador que estruturou a
organização social da aldeia, que originou os hotxuás e que se reencena todos
os anos.
Contudo, Hotxuá poderia explorar com mais ênfase as relações
entre os krahôs e o homem branco, bem como as ameaças à tribo – a expansão da
soja, de um lado, e a hidrelétrica, de outro. A comunidade, que teve a reserva
demarcada por Cândido Rondon após massacre nos anos 40, vê-se hoje pressionada
pelo modelo de desenvolvimento brasileiro, que privilegia o avanço das
fronteiras agrícolas e energéticas. Na melhor seqüência do filme, com a enorme
plantação de soja ao fundo, índios reclamam do novo “vizinho”, que lhes rouba
as terras e que não lhes permite acesso ao rio.
Infelizmente, Letícia Sabatella e Gringo Cardia perdem tempo
com o “lírico” encontro entre o hotxuá e o palhaço de origem européia. Momento
constrangedor e descartável.
Título original: (Hotxuá)
Lançamento: 2012 (Brasil)
Direção: Letícia Sabatella, Gringo Cardia
Atores: Letícia Sabatella, Gringo Cardia, Ricardo Pucceti.
Duração: 70 min
Gênero: Documentário

