sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Hotxuá



Letícia Sabatella e Gringo Cardia passaram dez dias entre os índios da tribo krahô, no Tocantins, com o intuito de filmar os hotxuás, sacerdotes do riso – palhaços rituais que, além de manterem a força da comunidade ao alegrá-la, preservam os festejam que homenageiam as plantas, os quais constituem as leis principais dos krahôs.

Hotxuá, filme de descobertas. Os diretores ouvem os mais velhos da tribo, que explicam as tradições krahô, desconhecidas por nós. Letícia Sabatella e Gringo Cardia não assumem tom professoral – ao contrário, com humildade e respeito, dão voz aos entrevistados. Da mesma forma, registra com sincero maravilhamento a corrida das toras, que garante o equilíbrio da natureza, e a festa da batata, verdadeiro mito fundador que estruturou a organização social da aldeia, que originou os hotxuás e que se reencena todos os anos.

Contudo, Hotxuá poderia explorar com mais ênfase as relações entre os krahôs e o homem branco, bem como as ameaças à tribo – a expansão da soja, de um lado, e a hidrelétrica, de outro. A comunidade, que teve a reserva demarcada por Cândido Rondon após massacre nos anos 40, vê-se hoje pressionada pelo modelo de desenvolvimento brasileiro, que privilegia o avanço das fronteiras agrícolas e energéticas. Na melhor seqüência do filme, com a enorme plantação de soja ao fundo, índios reclamam do novo “vizinho”, que lhes rouba as terras e que não lhes permite acesso ao rio.

Infelizmente, Letícia Sabatella e Gringo Cardia perdem tempo com o “lírico” encontro entre o hotxuá e o palhaço de origem européia. Momento constrangedor e descartável.

Título original: (Hotxuá)
Lançamento: 2012 (Brasil)
Direção: Letícia Sabatella, Gringo Cardia
Atores: Letícia Sabatella, Gringo Cardia, Ricardo Pucceti.
Duração: 70 min
Gênero: Documentário

domingo, 22 de janeiro de 2012

Número de índios mortos por suspeita de rotavírus é maior, diz conselho


Cimi diz que 16 crianças já morreram em região do Acre, já Ministério da Saúde fala em 12 óbitos; há 186 casos suspeitos de diarreia aguda.
O Conselho Indigenista Missionário (Cimi), ONG ligada à Igreja Católica afirmou nesta sexta-feira (20), que o número de mortes por suspeita de rotavírus no interior do Acre é maior do que o divulgado oficialmente pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), do Ministério da Saúde.
Distância de 215 km entre Rio Branco e Manoel Urbano

O Cimi diz que 16 crianças já morreram na região de Santa Rosa dos Purus com os mesmos sintomas. O Ministério da Saúde declarou que eram apenas 12 mortes em processo de investigação. Na quinta-feira, o Sesai chegou a falar em 13 óbitos.
A morte mais recente ocorreu na manhã desta sexta-feira. Conforme informações do Cimi, um bebê de nove meses da etnia Apurinã morreu na capital do Acre, Rio Branco.

A morte da criança foi confirmada pelo Ministério da Saúde no final da tarde desta sexta-feira. Todas as vítimas apresentavam os mesmos sintomas: diarreia, febre e vômito. Das 12 mortes investigadas pelo Ministério, nove são de Doença Diarreica Aguda (DDA). A síndrome pode ser causada por rotavírus.

O indígena Ninawá Huni Kuin, conselheiro de saúde e integrante do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Alto Rio Purus, afirma que as outras mortes não foram notificadas pelo Ministério da Saúde porque elas ocorreram dentro das aldeias e os bebês não tiveram como serem atendidas na região.

“Apesar de não estarmos tão longe das cidades, o acesso às aldeias ocorre apenas por barco. Por isso, nem sempre é possível salvar crianças em situação mais grave”, afirmou Kuin.

Nas aldeias onde ocorreram estas mortes, conforme os indígenas, não existem postos avançados de saúde indígena. O deslocamento de pessoas com algum tipo de doença é feito de canoa e a viagem para as cidades mais próximas, Manoel Urbano e Sena Madureira, dura pelo menos duas horas.

Em Mato Grosso: Com 35 índios mortos, Mato Grosso decreta situação de emergência

Nesta sexta-feira, cinco crianças indígenas estão internadas no Hospital da Criança de Rio Branco. Uma delas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em estado grave. Todas são do município de Santa Rosa dos Purus. Equipes de Brasília estão no Acre investigando a causa das mortes. Oficialmente não se fala de surto. Das 46 aldeias de Santa Rosa, em 20 houve notificação de crianças com os mesmos sintomas.

Ainda pelas informações da Saúde,  do dia 4 de dezembro até o dia 14 de janeiro deste ano, foram identificados 186 casos suspeitos de DDA na região. Setenta apenas no início de 2012. Equipes multiprofissionais de saúde indígena do Ministério da Saúde já prestam assistência na região onde foram identificados os casos. São seis profissionais, informou o Ministério da Saúde.