Caçadores estrangeiros pagavam até R$ 40mil para matar onças no Centro-Oeste brasileiro
O safári teve grande repercussão na mídia, com matérias no Jornal Nacional e no Fantástico, ambos da rede Globo, nos dias 6, 7 e 8 de maio, respectivamente.
O delegado da Policia Federal de Corumbá (MS), Alexandre do Nascimento, responsável pelo caso, falou ao Notícias da ARCA sobre os esforços para a condenação dos envolvidos. “São fatos gravíssimos e o clamor público deve ser ouvido.”
De acordo com Alexandre, as investigações devem durar de 40 a 50 dias, tempo em que os laudos serão analisados. Em sua opinião, a lei deve ser alterada. “Atualmente a pena vai de nove meses a um ano e meio de prisão, porém, se condenados a menos de um ano, os envolvidos podem trocar a punição por pagamento de cestas básicas ou por trabalho comunitário”, explica.
O delegado falou também sobre os envolvidos com o safári: “São profissionais da caça, mercenários contratados para cometer os crimes”. Segundo Alexandre, os fazendeiros destruíam as provas, queimando ou enterrando os animais para dificultar as investigações. “É impossível encontrar, no Pantanal, carcaças de animais enterradas. Porém, achamos, na fazenda, fotos com mais de 20 anos, calculamos que há pelo menos 15 anos as caçadas aconteciam de forma organizada”. “O preço pago pelos estrangeiros para participar dos safáris era de até R$ 40 mil. A taxa incluía viagem, hospedagem e todo o armamento e munição necessários para a caça”. Continua.
As imagens mostram a fazendeira Beatriz Rondon (veja abaixo), em atitude jocosa ao lado de caçadores que haviam acabado de atingir uma onça pintada fêmea, que ao fundo agoniza, em cena chocante que abre a matéria. “Estamos esperando os laudos sobre os animais, armas e munições apreendidos na fazenda. Só depois de termos essas provas é que deveremos pedir a prisão preventiva dela.” Explica o delegado.
Com a intenção de apoiar as investigações, exigir maior fiscalização e a punição exemplar dos envolvidos, a entidade enviou ofícios ao Ministério do Meio Ambiente e da Justiça, ao Ibama do Mato Grosso do Sul, à Polícia Federal do Mato Grosso do Sul e ao Procurador-Chefe da Procuradoria da República no Mato Grosso do Sul, Dr. Blal Yassine Dalloul.
Mostre sua indignação!
A divulgação do caso é essencial para que o esquema seja desativado. Envie sua mensagem cobrando resultados para:
- Superintendente do IBAMA em Mato Grosso do Sul: imprensaibamams@gmail.com
- Superintendente Regional da Policia Federal de Mato Grosso do Sul:agencia.anpf@dpf.gov.br
- Procurador-chefe da procuradoria da república em Mato Grosso do Sul: ascom@prms.mpf.gov.br
Não se esqueça de enviar cópia para comunicacao@arcabrasil.org.br.
Se preferir utilize o modelo abaixo:
Senhores,
Na qualidade de cidadão brasileiro, cumprimento esse órgão pela atuação no combate à caça ilegal no Pantanal, especialmente no que tange às operações Jaguar I e II.
Solicito todo o empenho para que as ações iniciadas sejam levadas a cabo, até que a caça ilegal seja definitivamente banida do Pantanal e do Brasil e todos os infratores punidos exemplarmente.
At,
NOME:
RG:
EMAIL:
Editorial
“Louvada seja a criança, que cai e chora, pois o homem caiu e já não consegue chorar”. (*)
A beleza e a exuberância de nossa fauna nos enchem de orgulho e despertam a atenção do mundo. Mas diante de tanta ameaça à sua fragilidade, diante de tanta negligência, maus-tratos ou pura crueldade, surge a pergunta: em que medida estamos realmente dispostos a defender os animais silvestres de nosso país?
Além da escalada do desmatamento, do tráfico e do comércio ilegal, este mês fomos chocados pelas cenas de um safári em pleno Pantanal. Nas imagens – gravadas por um estrangeiro com a intenção de divulgar o “esporte” –, uma onça acuada pelos cães sobe em uma árvore na esperança de salvar, não apenas sua vida, mas o futuro de sua espécie, ameaçada de extinção. Abatida, ela agoniza diante dos caçadores e de uma mulher, Beatriz Rondon, dona da fazenda onde o crime ocorreu.
Considerado por alguns como o “tutor da natureza” e uma espécie de divindade para os bichos, o homem reluta em reconhecer o impacto de seus atos, pequenos e cotidianos, na vida de milhares de espécies. Ele também está acuado e, na ânsia de aplacar seus medos, busca refúgio em atos egoístas e fúteis, ao invés de refletir sobre sua relação com o planeta.
O consumismo desenfreado, o apetite doentio por acumular bens – muito além de suas necessidades ou de sua prole –, tudo soma para um quadro de desequilíbrio que pode ser resumido em uma só enfermidade: falta de natureza.
Mas afinal, onde mora nossa natureza, nossa identidade, nossa alma?
O mais credenciado para a resposta, o índio, diz: em nossas florestas e matas, nas espécies de nossa flora e fauna.
Se essa natureza é parte de nós, então protegê-la não é um trabalho. E um dever.
Marco Ciampi
Presidente da ARCA Brasil
(*) autor desconhecido
Saiba mais
Operação Jaguar I - Realizada em junho de 2010 pela Polícia Federal em parceria com o IBAMA, prendeu caçadores estrangeiros e brasileiros nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná por matarem várias espécies de animais silvestres, entre eles onças pintadas e jacarés. Para fugir da fiscalização, os criminosos fingiam capturar onças para encoleiramento e monitoramento, em um programa com a participação do IBAMA.
Operação Jaguar II - Iniciada em maio de 2011, novamente uma parceria entre a Policia Federal e o IBAMA, já foram encontrados na Fazenda Santa Sofia crânios e peles de onças, 16 galhadas de cervos, uma pele de sucuri de aproximadamente 3,5 m, além de armamento e munição para caça. Segundo Alexandre, as investigações continuam, mas até o momento ninguém foi indiciado. "Precisamos juntar mais elementos de provas antes de chamarmos os envolvidos para serem ouvidos".
Os principais suspeitos
Beatriz Rondon – Pecuarista, já foi presidente de uma ONG de preservação do Pantanal, a Sociedade para Defesa do Pantanal (SODEPAN). É dona da fazenda Santa Sofia, utilizada para realizar os supostos safáris, propriedade herdada de Antônio Cândido Rondon, sobrinho neto do Marechal Rondon, conhecido como Marechal da Paz, por sua visão humanista e pacifista. Durante a operação Jaguar II, já foi multada pelo IBAMA em R$ 15 mil por caça profissional, R$ 100 mil por danos a unidade de conservação e R$ 105 mil por caça ilegal e abate de animais ameaçados de extinção, totalizando R$ 220 mil. Juntamente com os outros envolvidos no safári pode ainda ser indiciada pelos crimes de formação de quadrilha, caça ilegal de animais silvestres em extinção, posse de arma de fogo de uso restrito e munição importada.
Tonho da Onça – Antonio Teodoro de Melo Neto já foi considerado o maior matador de onças do Brasil, com mais 600 mortes no histórico (isso há mais de dez anos), sendo até personagem de livro infantil por conta desse “currículo”. Tonho da onça disse ter se regenerado, deixado de caçar e utilizado suas habilidades para ajudar o IBAMA a capturar os animais para monitoramento. No entanto, foragido da polícia, Antônio aparece no vídeo entregue à Polícia Federal no começo de maio deste ano. Ele e seu filho foram considerados os principais envolvidos na operação Jaguar I, tendo sua prisão decretada.
Repercussão
O Jornal Nacional e o Fantástico, ambos da Rede Globo, veicularam matérias sobre o caso.
As imagens são fortes e revelam a ação dos envolvidos de forma incontestável.
Caso queira assistir aos vídeos, clique nos links abaixo:
Vídeo revela a existência de safáris ilegais em Mato Grosso do Sul
Polícia investiga supostos safáris no Mato Grosso Do Sul
Fonte: Arca Brasil
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