O Comitê Intergovernamental para Salvaguarda do Patrimônio
Imaterial, reunido em Bali, na Indonésia, aprovou nesta quarta-feira (23), a
indicação de inclusão do Ritual Yaokwa, do povo Indígena Enawene Nawe, do
noroeste do Mato Grosso, na Lista de Patrimônio Cultural Imaterial em
Necessidade de Salvaguarda Urgente.
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| ritual yaokwa |
O pedido para que a manifestação cultural, já protegida no
Brasil desde novembro de 2010, passasse a ter também a atenção da Unesco,
partiu do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan. A
indicação contou com a anuência da comunidade Enawene Nawe e com o apoio da
OPAN – Operação Amazônia Nativa e do projeto Vídeo nas Aldeias.
A ministra da Cultura, Ana de Hollanda, comemorou a votação
positiva e ressaltou que a inclusão de mais um bem brasileiro na lista da
Unesco “reforça a política do Ministério da Cultura, por meio do Iphan, de
permanente renovação da gestão do patrimônio, ampliando a proteção sobre a
diversidade cultural, perpetuando bens e costumes de todos os cantos do país”.
Para o presidente do Iphan, Luiz Fernando de Almeida, essa é
mais uma conquista que “valoriza a diversidade do patrimônio cultural
brasileiro, mas, acima de tudo, garante a proteção de um ritual sagrado que
expressa e dramatiza todo o percurso histórico feito pelos Enawene Nawe”. Ele
explica ainda que o Ritual Yaokwa é uma “manifestação da memória coletiva e
histórica, e a expressão de uma estética da existência, que se produz a partir
do uso e manejo dos recursos presentes em seu território de ocupação
histórica”.
Esta sessão do Comitê Intergovernamental para Salvaguarda do
Patrimônio Imaterial ainda avaliará as candidaturas brasileiras à Lista de Boas
Práticas de Salvaguarda, como a Série Cultural Popular Viola Corrêa, a Sala do
Artista Popular, a Chamada Pública do Edital do Programa Nacional do Patrimônio
Imaterial, o Museu Vivo do Fandango e a Documentação da Língua Poruborá:
contribuição para a salvaguarda do patrimônio linguístico.
Este ano, também serão avaliadas pela Unesco 84 candidaturas
de todo o mundo para a inscrição na Lista Representativa do Patrimônio Cultural
Imaterial da Humanidade. Atualmente, a lista possui 213 bens inscritos, de 68
países, dentre eles, os bens brasileiros Expressões Orais e Gráficas dos Wajãpi
e o Samba de Roda do Recôncavo Baiano. O iphan, em parceria com as comunidades
e instituições envolvidas, enviou três candidaturas à Lista Representativa: o
Frevo de Pernambuco, o Círio de Nossa Senhora de Nazaré, de Belém do Pará, e a
Cachoeira de Iauaretê – Lugar Sagrado dos povos indígenas dos Rios Uapés e
Papuri, no Amazonas, que já fazem parte dos 23 Bens Registrados como Patrimônio
Cultural Brasileiro. No entanto, em função do grande volume de candidaturas
recebidas pela Unesco, essas só serão avaliadas em 2012.
Ritual Yaokwa do povo Enawene Nawe
O Ritual Yaokwa é a mais longa e importante celebração
realizada por esse povo indígena, atualmente uma população em torno de 540
indivíduos que vive em uma única aldeia, na terra Enawene Nawe, uma área de 742
mil hectares, homologada e registrada, localizada numa região de transição
entre o cerrado e a floresta Amazônica, no estado do Mato Grosso. Com duração
de sete meses, este ritual define o início do calendário ecológico-ritual
Enawene que abrange as estações seca e chuvosa de um ciclo anual marcado pela
realização de mais três rituais: Lerohi, Salomã e Kateokõ.
Parte fundamental do Yaokwa ocorre quando os homens saem
para a pesca de barragem, construídas com sofisticadas armações que se
configuram em elaboradas obras de engenharia, dispostas de uma margem à outra
do rio. Este é o ponto alto do ritual que começa em janeiro, com a coleta das
matérias-primas para a construção das barragens e com a colheita da mandioca.
Desde o primeiro contato com a “civilização branca”, em 28
de julho de 1974, os Enawene Nawe têm se tornado cada vez mais desconfiados
diante das ameaças que os cercam, como madeireiros e garimpeiros, mas
principalmente os impactos ambientais causados pela construção de pequenas
centrais hidroelétricas que, embora se localizem fora da terra indígena, vêm
sendo construídas em locais próximos às cabeceiras dos rios, que são utilizados
durante o ritual.
Fonte: Indiginas em Ação

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