“Nosso sofrimento começou com o primeiro navio que chegou ao Brasil." (Wayrotsu, povo Xavante)
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
O barril de pólvora da questão indígena
Uma tragédia indígena
Pistolagem, homicídio, suicídio,
desnutrição, alcoolismo, racismo, narcotráfico, desmatamento e falta de terra.
A expectativa de vida do maior grupo indígena do país é de 45 anos, só
comparável à do Afeganistão
ESPERA
A índia Sandriele, da etnia guarani-caiová, num dos barracos
do acampamento Apikay, na estreita faixa entre a BR-463 (ao fundo) e a cerca de
um canavial. Há anos sem nenhuma atividade, sua família só sobrevive das
doações de cestas básicas.
Na margem da BR-463, entre Dourados e Ponta Porã, no sul do
Mato Grosso do Sul, a indiazinha Sandriele, de 2 anos de idade, passa o dia
inteiro deitada num colchão velho e apodrecido sob a lona de uma barraca
escaldante. O acampamento chama Apikay. Com uma dúzia de barracos parecidos,
fica na estreita faixa que separa a cerca de um canavial do acostamento da
rodovia. A família inteira de Sandriele vive há oito anos ali, sustentada pelas
cestas básicas doadas pelo governo. A líder religiosa do grupo, a índia
Damiana, reivindica a mata que fica exatamente do outro lado da rodovia, a
poucos passos do acampamento. Ela, filhos, netos e agregados passam os 365 dias
do ano totalmente desocupados, apenas olhando para o local que julgam sagrado.
E ouvindo o barulho irritante dos carros, ônibus e caminhões que passam a mais
de 100 quilômetros por hora. “Meus pais e meus avós estão enterrados ali”,
repete, cercada de crianças, olhando para o outro lado da pista. Nas três
visitas que ÉPOCA fez ao acampamento, sempre durante o dia, índios adultos da
família de Damiana e Sandriele pareciam alcoolizados. Em setembro de 2009, as
barracas foram incendiadas por gente estranha ao grupo e um índio foi baleado.
O procurador Marco Antonio Delfino, do Ministério Público Federal (MPF), trata
o ataque como “tentativa de genocídio”.
Ameaças, tiros, espancamentos e assassinatos são apenas uma
das manifestações do estado precário em que vivem os índios da etnia
guarani-caiová. Espalhada por Dourados e pouco mais de 20 municípios ao redor,
trata-se da maior população indígena do país, entre as 220 etnias conhecidas.
São 45 mil pessoas instaladas na periferia das cidades médias, em alguns
fundões de fazendas produtoras de soja ou cana, em barracas de lona
improvisadas em beiras de rodovia e em várias pequenas áreas demarcadas como
ilhas que, somadas, totalizam 42.000 hectares. Se todos os guaranis-caiovás
estivessem concentrados num mesmo local, essa cidade indígena teria uma
população maior que 89% dos municípios brasileiros. Os indicadores sociais e de
violência dessa população, reunidos pelo Cimi, ligado à Igreja Católica, são os seguintes:
· com a segunda maior população indígena do país, Mato
Grosso do Sul é o Estado líder em assassinato de índios. Ganha da soma de todos
os outros juntos. Nos últimos oito anos, ocorreram 250 homicídios de indígenas
no Estado, ante 202 no resto do Brasil. Quase todas as vítimas eram guaranis-caiovás;
· entre os guaranis-caiovás há um absurdo índice de
suicídios. Entre 2003 e 2010, 83% dos suicídios de indígenas foram cometidos
por indivíduos desse grupo (176 casos, ante os 30 no resto do Brasil). Na
história recente da etnia também há registros de suicídios de crianças, algo
raríssimo em qualquer lugar;
· a fome ainda assombra os guaranis-caiovás. Em 2005, houve
um surto de mortes de crianças por desnutrição. Agora, a carência é mascarada
pela distribuição de cestas básicas pelo governo. A Funai estima que 80% dos
guaranis-caiovás dependem delas para sobreviver. A mortalidade infantil é de 38
óbitos para cada 1.000 nascimentos, ante a média de 25 no resto do Brasil;
· tudo somado, a expectativa de vida de um guarani-caiová é
de 45 anos, ante 73 dos brasileiros em geral. É um padrão igual ao do
Afeganistão, país que, no último relatório das Nações Unidas, apareceu na 8ª
pior posição numa lista de 195. Apesar de viver situação de guerra, um
iraquiano nascido hoje deverá viver 14 anos a mais que um guarani-caiová. Um
bebê haitiano viverá 16 anos mais.
Além do Cimi, do MPF e de antropólogos, a tragédia dessa
população já foi denunciada por diversos organismos internacionais, como a ONU
e a organização Anistia Internacional. Não se trata de um problema desconhecido
das autoridades brasileiras. Pouco depois de deixar o Ministério do Meio
Ambiente, a senadora Marina Silva enviou uma carta ao então presidente
Lula alertando sobre o “grau extremo da crise humanitária” na região.
Igualmente enfática tem sido a vice-procuradora-geral da República, Deborah
Duprat. Ela já classificou a situação como “a maior tragédia conhecida na
questão indígena em todo o mundo”.
A causa essencial da violência na região é produto de um
conjunto de erros históricos cometidos pelo Estado brasileiro. Entre 1915 e
1928, ignorando o modo de vida dos guaranis-caiovás, o Serviço de Proteção aos
Índios (SPI), depois substituído pela Funai, demarcou oito pequenas reservas no
sul do Estado. Dizia que esses espaços seriam suficientes para abrigar índios
de diferentes etnias e grupos familiares que viviam espalhados pela região. As
oito áreas somam 18.000 hectares. “Misturaram grupos diferentes, afastaram
outros de seus locais sagrados, os tekohás (lugar de nascer e morrer na cultura
guarani). Isso gerou e continua gerando muitos conflitos entre os próprios
índios”, diz a antropóloga Lucia Helena Rangel, professora da Pontifícia
Universidade Católica de São Paulo.
EM ALERTA
Um índio faz guarda do acampamento Guaiviry, no município de
Aral Moreira. Ele segura uma peça que era usada pelo cacique Nizio Gomes,
desaparecido há 15 dias.
Dentro das oito áreas, o SPI impôs regras de conduta
militar, criou milícias indígenas, apoiou o ingresso de missões evangélicas e
favoreceu índios da etnia terena, em detrimento dos guaranis-caiovás, na
distribuição de lotes e na hierarquia das instituições.
Ao mesmo tempo que procurava aculturar os índios, o governo
decidiu colonizar a região, incentivando a migração de fazendeiros de outros
Estados com a farta distribuição de títulos de propriedade. Essa política
começou logo após a Guerra do Paraguai, no fim do século XIX, e ganhou força no
primeiro governo Getúlio Vargas (1930-1945), quando lotes de 30 hectares foram
largamente distribuídos. Grande parte dessa reforma agrária foi feita em
terrenos tradicionalmente ocupados por índios.
E é aí que reside a grande particularidade do litígio
indígena no Mato Grosso do Sul. Ao contrário do que ocorre no norte do país,
onde muitas terras foram griladas, os fazendeiros da região de Dourados têm
títulos legítimos de propriedade. Esse fato, alicerce da defesa dos produtores
rurais, não é questionado nem pelos mais aguerridos militantes da causa
indígena. “Os proprietários aqui têm títulos, alguns centenários”, diz Eduardo
Riedel, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Mato Grosso do Sul
(Famasul).
No início, com baixa densidade populacional, matas extensas
e propriedades rurais ainda pequenas, os conflitos entre índios e fazendeiros
eram pontuais. Nem todos os guaranis-caiovás foram removidos para as oito
reservas. Muitos continuaram na mata, conviviam e recebiam pequenos favores dos
fazendeiros. “Entre as décadas de 1950 e 1980, na implantação das fazendas,
vários guaranis-caiovás trabalharam na derrubada do mato da região que
habitavam”, escreveu o antropólogo Tonico Benites, caso raro de guarani-caiová
com formação superior – hoje ele faz doutorado na Universidade Federal do Rio
de Janeiro.
Nas últimas duas décadas, tudo mudou. Com o desmatamento
geral, o agigantamento das propriedades e a mecanização, índios que ainda
estavam na mata foram espremidos nos fundões das fazendas ou obrigados a mudar
para uma das oito reservas que, àquela altura, já estavam super povoadas. Um
levantamento citado por antropólogos dá idéia da brutal transformação ocorrida
na região nas últimas décadas. Nos anos 1970, na cidade de Ponta Porã, divisa
com o Paraguai, havia cerca de 450 madeireiras em operação. Hoje, há duas. A
atividade praticamente deixou de existir, porque não há mais mato para cortar.
Quem percorre as rodovias da região vê quilômetros e quilômetros planos de
soja, cana e pasto, interrompidos só por tufos de mata, a reserva legal de 20%
que toda fazenda precisa ter.
A partir daí, a situação dos guaranis-caiovás começou a se
deteriorar de forma acelerada. Diversas famílias que temiam ir para as
reservas, ou não queriam se afastar muito de suas áreas tradicionais, passaram
a montar acampamentos em beiras de rodovia – é o caso da família de Damiana.
São os locais onde a miséria se torna mais evidente.
Outras decidiram retornar à área tradicional. “Quem não
suporta ficar na beira de rodovia ou confinado na reserva super povoada tenta
reocupar seu tekohá”, diz o cientista político Egon Heck, do Cimi. Tratados
como invasores pelos fazendeiros, esses índios procuram ir para o que restou de
mata na fazenda. É o caso do grupo Laranjeira Nhanderu, até pouco tempo atrás
acampado na calha da BR-163. Depois de duas mortes de criança por desnutrição,
duas por atropelamento e dois suicídios, o grupo de uns 100 índios atravessou
cerca de 1 quilômetro de soja até atingir a mata onde tentam se organizar. Há
alguns dias, finalizaram a estrutura de sua casa de reza. O próximo passo é
fazer a cobertura de sapê. O caso está na Justiça.
Dos anos 1980 para cá, o governo demarcou, de forma
fragmentada, outros 24.000 hectares para os guaranis-caiovás, somando os atuais
42.000 hectares da etnia. É pouco quando se compara esse total à área reservada
para outros povos, mesmo dentro do Mato Grosso do Sul. Na região centro-oeste
do Estado, cerca de 3 mil índios cadivéus estão numa reserva de 538.000
hectares. Enquanto cada guarani-caiová possui, em média, 0,9 hectare; cada
cadivéu dispõe de 179 hectares. A própria história dos cadivéus é prova de que
o atual problema dos guaranis-caiovás tem origem em erros do passado.
Conhecidos como índios cavaleiros, os cadivéus garantiram os limites de sua
terra num ato assinado por D. Pedro II em agradecimento ao apoio que deram às
tropas brasileiras na Guerra do Paraguai. Hoje, vivem bem melhor que os
guaranis-caiovás.
POR DENTRO DA RESERVA DE DOURADOS
1. Criança em córrego sujo da reserva 2. O pastor Teodoro da
Silva, da etnia terena 3. Pedreira que faz explosões ao lado da reserva. 4.
Igreja Jesus é o Caminho, uma das 38 do local 5. Vila olímpica abandonada 6. A
índia Floriza com dois parentes num dos pilares da casa de reza que
desabou
A maior concentração de guaranis-caiovás está na reserva de
Dourados, a mais problemática das oito demarcações iniciais. A dez minutos do
centro da cidade, o local virou numa espécie de favela indígena, com abundante
histórico de degradação social. São 3.500 hectares para 14 mil índios, de 40
grupos familiares das etnias guarani-caiová e terena. Estima-se que 10% a 15%
das famílias tenham problemas com álcool ou outras drogas (o mapa e as imagens
acima dão uma idéia da vida na reserva). O local é palco de denúncias de
estupro e até de venda de crianças. Antigamente, o policiamento era feito por
uma milícia indígena tutelada pela Funai, cuja atuação era manchada por
acusações de abusos. “Quando as milícias deixaram de existir, em 1988, ficou um
limbo jurídico que deixou a área totalmente desguarnecida”, diz o procurador
Delfino. “A polícia do Estado dizia que não poderia entrar na área federal. A
PF dizia que sua função não era fazer patrulha.” Esse vácuo, somado à relativa
proximidade com o Paraguai, tornou a reserva atraente para o narcotráfico.
Somente neste ano o MPF conseguiu firmar um convênio com a PF e a Força
Nacional para a realização de patrulhas diárias.
Os moradores mais antigos reclamam que a cultura indígena
vem perdendo espaço. Um levantamento da pesquisadora Graciela Chamoro
identificou 38 locais de culto evangélico na área. A mais forte, dizem os
moradores, é a pentecostal Deus é Amor. Outra reclamação é contra a presença de
uma pedreira a cerca de um quilômetro de uma das extremidades da reserva. A
índia rezadeira Floriza Silva diz que seu companheiro perdeu parte da audição
por causa das explosões. A casa de reza da família desmoronou, incidente que
todos atribuem aos abalos do solo. Hoje, só restam os pilares. Um levantamento
do MPF mostrou que a licença da pedreira é regular.
À beira da rodovia MS-156, que corta a reserva de Dourados
ao meio, é possível encontrar crianças brincando num córrego sujo, que, além do
esgoto, pode receber agrotóxicos escoados de plantações de soja. “Não sei se
isso faz mal”, diz a tia de uma delas enquanto observa. Uma das maiores mostras
da desconexão entre as demandas do local e as iniciativas do poder público foi
a construção de um centro olímpico indígena, ao custo de quase R$ 2 milhões. A
instalação, com placa do governador André Puccinelli, tem quadra
coberta, vestiários, campo de futebol, pista de corrida asfaltada e esculturas
coloridas de enormes flechas fincadas no chão, representação que guarda pouca
relação com a cultura guarani-caiová. Entregue há menos de um ano, a vila
permanece abandonada. Os índios dizem que jamais foram consultados sobre sua
construção. “Acho que era melhor aplicar esse dinheiro na saúde, na educação ou
na agricultura, né?”, diz o índio Estevam Martins, que tem uma casa ao lado.
Enquanto a vila era terminada, o MPF acionava judicialmente a prefeitura de
Dourados por não ter aplicado R$ 1,8 milhão enviado pela União para programas de
saúde na reserva.
Até hoje ninguém sabe mapear os limites das áreas
originalmente ocupadas pelos guaranis-caiovás. A Constituição de 1988 diz que
todas as áreas indígenas do país deveriam ser identificadas, delimitadas e
demarcadas pelo governo em cinco anos. Como apenas uma parte residual disso foi
feito no caso dos guaranis-caiovás, o MPF processou o governo pela demora. O
resultado, em 2008, foi a criação de seis grupos de trabalho compostos
basicamente de antropólogos. Eles deveriam esquadrinhar 26 municípios para
identificar e delimitar o território indígena, além de fazer um levantamento
fundiário para encontrar os proprietários das áreas.
Os relatórios dos grupos de trabalho, que deveriam ter sido
entregues em abril de 2010, não foram integralmente concluídos até hoje.
Diversos produtores, temendo perder suas terras, entraram na Justiça para
bloquear os trabalhos. De acordo com a Famasul, nos 26 municípios estão 30% dos
estabelecimentos agropecuários do Estado, que, juntos, produzem 25% do Produto
Interno Bruto sul-matogrossense. Nas cidades, o clima foi de histeria.
Espalharam-se boatos de que todas as 26 cidades seriam integralmente
desapropriadas. Até uma associação de padeiros se manifestou contra.
Fazendeiros no extremo norte do Estado, a centenas de quilômetros da área em
disputa, começaram a se armar para expulsar os guaranis-caiovás de suas terras.
Com o alvoroço e o aumento da violência, os antropólogos interromperam os
estudos alegando falta de segurança. Uma pesquisadora diz que uma espingarda
foi apontada para sua cabeça durante uma visita de reconhecimento.
“Com o pânico da população, o racismo contra os índios ficou
explícito”, diz o juiz Antônio Braga Júnior, auxiliar da presidência do
Conselho Nacional de Justiça, órgão que criou uma comissão para tentar
destravar os 126 processos judiciais entre indígenas e fazendeiros na região.
“Ele são vistos como párias na sociedade, não recebem a efetiva proteção e são
discriminados na busca por empregos, vagas em hospitais e outros serviços.” A geógrafa
Juliana Mota, que leciona numa escola indígena enquanto conclui seu mestrado,
dá um exemplo de como o preconceito se manifesta. “Sabemos que há restaurantes
que compram mandioca dos índios porque é mais barato, mas não divulgam com medo
de perder clientes”, diz.“Alguns falam para o índio não entregar o produto no
restaurante, pois não querem que os índios sejam vistos por lá. Pedem para
entregar em casa.” Nas cidades, muitos se referem aos guaranis-caiovás como
“bugrada” ou “índios paraguaios”.
JORNADA
Quando chegam da escola deixadas pelo ônibus na BR-163,
crianças indígenas precisam cruzar cerca de 1 quilômetro de soja até chegar ao
acampamento Laranjeira Nhanderu, área recém-ocupada. A casa de reza está em
construção
Numa visita a Dourados, o ex-ministro da Agricultura Wagner
Rossi chamou os guaranis-caiovás de “índios nômades” e afirmou que a
demarcação de terra indígena na região “põe em risco o direito de propriedade e
afrontam a Constituição”. Completou o raciocínio com a seguinte conclusão:
“Nunca vi nêgo que invade propriedade alheia produzir 1 quilo de feijão”.
Há 15 dias, o cacique Nizio Gomes, rezador do acampamento
Guaiviry, no município de Aral Moreira, desapareceu. Segundo testemunhas, ele
foi assassinado por pistoleiros e levado numa camionete. O crime repercutiu
internacionalmente e levou uma comitiva do governo federal para a região. Há
uma semana, as autoridades puderam atestar in loco o clima tenso que domina a
área. Acompanhado de um grupo de índios, o secretário de Articulação Social da
Secretaria-Geral da Presidência da República, Paulo Maldos, retornava de uma
visita a um outro acampamento quando foi surpreendido por duas camionetes. O
ocupante de uma delas começou a pedir identificação e a tirar fotos dos
integrantes da comitiva, alguns deles sob o regime especial de proteção da
Secretaria de Direitos Humanos. Outro filmava a movimentação. Mais camionetes
se aproximavam. Visivelmente nervoso, Maldos começou a discutir com os homens.
Sem interromper a gravação, eles respondiam com ironias. Não pareciam
intimidados nem com a aproximação dos agentes da Força Nacional, que garantia a
segurança da comitiva. Um trecho do vídeo, gravado por um dos ocupantes das
camionetes, está em epoca.com.br. Foi enviado à redação três dias após o
incidente por Riedel, o presidente da Famasul.
Muitos temem pela deterioração da situação no instante que
forem divulgadas as áreas que devem ser demarcadas. A previsão é que os
primeiros relatórios saiam neste mês. Mais otimistas, outras autoridades
envolvidas com a questão acham que poderá haver um esfriamento dos ânimos,
pois, segundo as estimativas iniciais, a área total identificada (cerca de 600
mil hectares) é muito menor do que as especulações alarmistas.
A aposta para resolver o litígio é que se encontre uma via
legal para indenizar os fazendeiros pelas áreas demarcadas. Seria o único jeito
de contemplar os donos de títulos autênticos de terra. O problema é a lei. A
Constituição só permite indenização em programas de reforma agrária ou
demarcação quilombola. Para terras indígenas, presume-se a posse ancestral dos
índios e da União. No Congresso, há um Projeto de Emenda Constitucional que
tenta abrir a brecha para as indenizações. Na semana passada, a Assembléia
Legislativa aprovou um fundo para financiar pagamentos. Parece o embrião de um
acordo entre índios e fazendeiros. “Alguns proprietários aceitariam sair desde
que recebessem pela terra”, afirma Riedel. “Outros, talvez não. Eles têm o
direito de não vender. Mas a comoção é tanta que ninguém tem interesse em
manter o conflito.”
Por: Ricardo Mendonça e Mariana Sanches
Foto: Filipe Redondo
Fonte: Controvérsia, Advivo
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Brô Mc's + Fase Terminal - "No Yankee"
Primeiro grupo indígena de hip hop a gravar disco no Brasil. Veja clipe da música "No Yankee" do Brô Mc´s em parceira com o Fase Terminal
l
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Índios dizem que hidrelétricas do Teles Pires ameaçam locais sagrados
Líderes promovem
encontro com procuradores e reforçam oposição a barragens na região; usina de
Teles Pires já está em obras.
Procuradores da República do Mato Grosso e do
Pará estiveram na última semana na Terra Indígena Kayabi, na divisa entre os
dois Estados, a convite da população, das etnias Kayabi e Munduruku. Segundo o
Ministério Público Federal, seus representantes ouviram reclamações sobre o
andamento de projetos de hidrelétricas que afetarão a região. O local foi,
inclusive, palco de um conflito maior em outubro, quando as duas tribos fizeram
como reféns sete funcionários da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e da
Fundação Nacional do Índio (Funai).
Na época, o objetivo já era chamar a atenção
para a luta contra as hidrelétricas e, naquele momento, mais especificamente, a
usina de São Manoel (700MW). A principal queixa é sobre a ausência de consulta
aos povos locais, que é um direito colocado na Convenção 169 da Organização
Internacional do Trabalho.
“Se o governo tá desrespeitando a lei, a
Constituição, a Convenção 169, tá desrespeitando também todos os caciques. E
pra nós isso é questão de vida ou morte, porque a água é a nossa vida”, disse
Jaime Munduruku. “Enquanto tiver cacique e tiver a Constituição, vamos lutar
contra essas barragens”, finalizou.
Os índios ainda dizem que a construção de
hidrelétricas na região vai destruir três locais sagrados de suas crenças no
rio Teles Pires: o Morro do Jabuti, o dos Macacos, e um conjunto de cachoeiras
conhecidas como Sete Quedas. Segundo a tradição, esses locais são onde vivem os
antepassados mortos e, em caso de violação, grandes tragédias se abaterão nas
proximidades.
"Nas Sete Quedas onde estão os maiores
peixes do mundo é onde mora também a Mãe dos Peixes. É por isso que os peixes
vêm todo ano, para visitar as sete cachoeiras onde vive a mãe deles. Não pode
mexer lá, se a gente deixar mexer, vai levar muita gente junto, porque embaixo
das cachoeiras tem uma cidade que não é dos brancos, é dos índios. É a cidade
para onde vão todos os índios mortos ”, explicou José Emiliano Munduruku.
O MPF diz que a importância religiosa e
mitológica coincide com a ambiental. "Nas sete cachoeiras enfileiradas, de
fato, ocorre a desova de algumas espécies de peixes da região, como pacu,
pirarara, matrinchã, pintado e piraíba, que chegam a medir até 2 metros",
diz o órgão, em comunicado em seu site.
Os procuradores ainda dizem que as cachoeiras
Sete Quedas podem ser destruídas "a qualquer momento", uma vez que a
obra da hidrelétrica de Teles Pires, a maior prevista para a bacia, está em
andamento e já estariam sendo realizadas explsões nessa área do rio.
O MPF iniciou duas ações civis públicas na
Justiça Federal contra as usinas Teles Pires e São Manoel e diz que tem
acompanhado o andamento dos demais projetos na região. Para o órgão, os estudos
sobre o impacto das usinas nos peixes "foram considerados suficientes pelo
próprio Ibama". Ainda é questionada a falta de levantamento sobre o
patrimônio cultural indígena.
"O governo brasileiro não se preocupou em
identificar e estudar a importância cosmológica, mitológica e religiosa do rio,
desrespeitando o direito dos índios à própria identidade cultural",
sustentam os procuradores.
Fonte: Topnews
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
Movimento Gota D’ Água
O Movimento Gota D’ Água surgiu da necessidade de
transformar indignação em ação. Queremos mostrar que o bem é um bom negócio e
envolver a sociedade brasileira na discussão de grandes causas que impactam o
nosso país. Utilizamos nossa experiência em comunicação para dar voz aqueles
que se dedicam a estudar o impacto que as decisões de hoje terão no amanhã. O
Movimento apoia soluções inteligentes, responsáveis, conscientes e motivadas
pelo bem comum. O Gota D’Água é uma ponte entre o corpo técnico das organizações
dedicadas às causas socioambientais e os artistas ativistas.
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