segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

O céu dos índios


Pesquisador faz projeto para resgatar astronomia dos índios

Nada de Touro ou Cruzeiro do Sul. Os índios brasileiros olham o céu em busca de constelações como a Ema, a Anta e o Homem Velho. Muitas aldeias têm astronomia própria, usada para saber desde as estações até o posicionamento geográfico.
Um conhecimento que, embora tradicional, retratado até em antigas pinturas rupestres, está ameaçado devido à forte assimilação cultural. Um pesquisador, porém, está trabalhando para resgatar esse saber.
No mês que vem, as escolas indígenas de Dourados (MS) ganharão uma cartilha em português e guarani com a astronomia indígena.

"É um conhecimento que está se perdendo. As escolas indígenas só ensinam a astronomia ocidental. Devemos mostrar as duas culturas",
diz o líder do projeto, Germano Afonso, astrônomo do Museu da Amazônia.
Descendente de índios e nascido em Ponta Porã (MS), ele se tornou fluente em guarani e aprendeu, ainda criança, a conhecer as estrelas pelos nomes indígenas.
Isso, porém, foi suplantado pela astronomia dominante. Só após seu doutorado, na França, ele voltou a ter contato com essas tradições.
"Os índios se orientam pelas estrelas. Elas podem dizer o período de chuvas ou o aumento da presença de insetos. Estou recolhendo informações sobre as características que eles descrevem para ver se há correspondência comprovada. O acerto tem sido impressionante."
As formas que os astros desenham no céu variam entre as tribos. O Cruzeiro do Sul, para os dessanas, índios próximos a Manaus, representa a Garça. Já para outras comunidades ele é a Pata da Ema ou o Jabuti.
Cada constelação tem um significado. As histórias cheias de simbologia ajudam na memorização das formas.
Uma delas é a constelação do Homem Velho. A tradição diz que um índio velho se casou com uma jovem que, após traí-lo com seu irmão, decidiu cortar sua perna e depois matá-lo. Os deuses teriam ficado com pena e transformado o ancião em estrelas.
"Há 20 anos, as pessoas não entendiam a importância dessas tradições. Hoje, o projeto é reconhecido entre astrônomos. E os índios gostam, têm interesse em não deixar sua cultura morrer."

 O céu segundo os índios.

Muito antes de Fernão Guimarães aparecer aqui guiado pelas estrelas, os habitantes destas terras já direcionavam suas vidas pelos pontos luminosos do céu.
Celebrações religiosas, épocas de plantio e colheita são apenas alguns dos propósitos dos estudos indígenas do firmamento. Para além da função prática, viam também no céu a cópia de seu próprio mundo.

Cópia imperfeita do firmamento:
A atividades indígenas guiam-se por dois tipos de constelações. Há aquelas relacionadas ao clima, à fauna e flora, conhecidas por toda a comunidade e outras ralacionadas aos espíritos, conhecidas apenas pelo pajé. No firmamento encontram mais do que a orientação sobre as marés e estações do ano: vêem um retrato do mundo terrestre. Para agrupar os astros, utilizam elementos do seu próprio cotidiano. Para o pajé tudo que existe no céu, existe na terra. Nosso mundo nada mais é do que a cópia imperfeita do céu. Assim cada animal terrestre tem sua constelação correspondente.
Enquanto a União Astronômica Internacional registra 88 constelações nos dois hemisférios, os índios utilizam mais de 100, formadas não só por grupos de estrelas mas também por manchas escuras e nebulosas que compõem o céu.
Uma das principais constelações indígenas - A Ema: Quando surge ao leste ao anoitecer, na segunda quinzena de junho, a Ema indica o início do inverno para os índios do sul do Brasil e o começo da estação seca para os do norte. É limitada pela constelação do Escorpião e pelo Cruzeiro do Sul (Curuxu), que segundo o mito Guarani, segura a cabeça da ave, garantindo a vida na terra - caso ela se solte, beberá toda a água de nosso planeta. Os tupis-guaranis utilizam o Curuxu para determinar os pontos cardeais, assim com a duração das noites e estações do ano.

Fonte de pesquisa: Encarte Brasil Almanaque da Cultura Popular - Ano 9/Nº 97 - Maio de 2007

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Petição Contra a Limitação de Terras Indígenas no Brasil


Visando a defesa das comunidades indígenas (que são a base do paganismo no país) e a preservação da cultura, biodiversidade e o estado social em si, é que a organização do Portal O Bruxo lança uma petição contra o Projeto de Emenda a Constituição (PEC 38/99) que pretende limitar a demarcação de terras indígenas em prol de um crescimento econômico desordenado. O projeto do Senador Mozarildo Cavalcanti (PTB - RR) deixa clara a intenção de intervir nos direitos das comunidades indígenas, que vem perdendo suas terras pouco a pouco, sob o motivo de que suas áreas, por seu tamanho, impedem o crescimento de projetos econômicos no país.
A verdade é que o projeto é uma forma de encobrir falhas em diversos sistemas do governo, que merecem uma maior atenção dos órgãos responsáveis. Queremos que os direitos das comunidades indígenas sejam respeitados e que o direito de voz do povo brasileiro seja ouvida, e não seja ignorada perante visões limitadas dentro do cenário político brasileiro.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Anderson Silva visita aldeia no Xingu para aprender luta indígena

Anderson Silva se pintou como os índios da aldeia no Xingu 
Campeão dos médios do UFC foi conhecer a “huka-huka” no Mato Grosso em matéria para a revista Trip
Anderson Silva trocou o octógono e a habitual preparação dentro da academia por um local de treinamentos bastante inusitado. Em reportagem para a revista Trip, o campeão dos médios do UFC visitou uma tribo indígena no Alto Xingu, no Mato Grosso, e aprendeu sobre a luta local chamada de “huka-huka”.
“É outra arte que vou conhecer, quero saber como eles conduzem a filosofia desse esporte”, afirmou o atleta em entrevista à Trip antes de praticar a arte.
O atleta paulista chegou a se pintar como os outros índios e lutou de igual para igual com os habitantes da aldeia. No começo, Anderson Silva teve dificuldades e acabou no chão em seus primeiros combates da “huka-huka”, uma modalidade de quedas.
Mas, depois, o melhor lutador de MMA do mundo estabeleceu novas regras na disputa com os índios e não decepcionou.
“[A nova regra] é um pouco mais violenta que a de vocês. Quando o oponente está no chão nós podemos continuar batendo. Ou podemos imobilizar também”, declarou o lutador, que depois não perdeu de mais ninguém apelando para as finalizações do jiu-jitsu.
Anderson Silva continua com a recuperação e os treinamentos de olho no provável retorno ao octógono no dia 16 de junho. O campeão dos médios defenderá o cinturão na revanche contra Chael Sonnen em combate que deve ser oficializado para acontecer no Pacaembu.

Fonte: Esporte IG
Foto: Revista Trip